Pirkei Hapeilim

1. LIBERDADE
Ser livre é ter a possibilidade de fugir dos padrões comuns em um ambiente confortável, sem ser julgado ou coibido por isso.

Uma vez que a existência humana se dá a partir de relações, a liberdade só é efetiva quando, se necessário, abrimos mão de possibilidades individuais em prol do grupo, em pactos que nos conectam com o Outro.

Liberdade coletiva e individual são complementares. Porém, a liberdade coletiva é mais significativa que a individual, pois quando estamos em grupo podemos conquistar e construir objetivos que não poderíamos atingir sozinhos.

Temos a consciência de que a liberdade é um direito de todos, e que vivemos em um mundo em que nem todos a possuem. É nosso dever lutar para que todos os indivíduos e grupos possam ser livres.

O judaísmo vai além de uma elaboração cultural que buscamos preservar e desenvolver. Vemos nos valores, práticas e costumes judaicos, ferramentas para construirmos um mundo mais livre, sendo o judaísmo um meio fundamental para alcançarmos nossos objetivos.

O Chaver Chazit (seja Pail ou Chanich) deve assumir um papel ativo em seu próprio processo educativo, através da análise, crítica e educação democrática. Desse modo, o Chaver exerce liberdade sobre sua educação.

QUESTIONAMENTOS:

– quando o judaísmo se torna um obstáculo para a liberdade?
– Ao procurar “liberdade” no Google, encontramos indivíduos sozinhos, de braços abertos… O que isso significa? Reformulada: o que as imagens de liberdade no google significam? Tópicos: – porque os indivíduos estão sozinhos? P que representa os bracos abertos? Porque as imagens sao em campos e nao em cidades?…
– somos livres para sermos maus?
– deveríamos ser conscientes para sermos livres?
– a liberdade do povo judeu esbarra no respeito a outros povos?
– até onde a educação da chazit pode esbarrar na educação domiciliar?
– quais os limites da liberdade do peil dentro da peilut?
– seríamos hoje seres livres?

PRÁTICAS/POSTURAS

– dar mais espaço para os chanichim:
fóruns, escolha de módulos, sugestões, feedbacks, etc
– usar as práticas de Janusz Korczak como referência para nossa educação

2. CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

Consciência Ambiental é a compreensão da intrínseca relação que existe entre o ser humano é a natureza, e não apenas o que conhecemos como preservação ecológica. O meio ambiente não é apenas um palco onde agimos, mas parte indissociável de nossa existência.

A racionalidade é a especificidade do ser humano como espécie, o que não o coloca como superior aos demais seres vivos, apenas nos traz responsabilidade pela harmonia do meio ambiente.

Atualmente, nos relacionamos com o meio ambiente através de um consumismo inconsciente, desenfreado e insustentável. Sendo assim, devemos lutar contra essa concepção de mundo e suas implicações políticas, sociais, econômicas e, portanto, ecológicas.

A educação tnuatí deve promover ao Chaver o despertar da sensibilidade em relação ao seu redor. O indivíduo chazitiano deve procurar conhecer as consequencias de suas ações no meio e buscar práticas para erradicar os prejuízos.

QUESTIONAMENTOS:

– é possível mudar o mundo sem mudar o sistema em que vivemos?

PRÁTICAS:

Iom Yarok
Toranut
Estimular que os chanichim limpem a sujeira de sua peula

3. RESPEITO

Acreditamos no respeito não apenas como base das relações interpessoais, mas também como ponto de partida para a ampla gama de valores nos quais se apoia nossa Tnuá. O respeito parte do indivíduo e implica o necessário reconhecimento do Outro. Por isso, encontramos em nossa Concepção Educativa o diálogo como princípio fundamental para nosso relacionamento.

O Respeito é um dos alicerces do nosso movimento porque se trata do diálogo, da responsabilidade coletiva e do reconhecimento mútuo. Esses princípios devem pautar as práticas e posturas cotidianas do Chaver Chazit, seja dentro ou fora do marco Tnuatí.

Uma sociedade respeitosa não pode se apoiar em preconceitos. Para que enfrentemos isso, é necessário mais do que passividade. É nosso dever lutar para que todos os indivíduos e grupos sejam respeitados, o que inclui rever nossos pequenos hábitos, que podem carregar preconceitos interiorizados.

O judaísmo vai além de uma elaboração cultural que buscamos preservar e desenvolver. Vemos nos valores, fontes e práticas judaicas, referências para o respeito que buscamos como Tnuá e indivíduos. Afinal, o judaísmo é um meio de descoberta e construção de nossa identidade.

Respeitar nossos educando significa entender suas necessidades e especificidades, e nunca nos colocarmos como superiores a eles, compreendendo as diferentes etapas de um processo educativo.

QUESTIONAMENTOS:

– respeito tem limites?
– até que ponto conseguimos dialogar com alguém que não quer o mesmo?
– a liberdade do povo judeu esbarra no respeito a outros povos?
– é válido sermos desrespeitosos ao nos posicionarmos pelo que acreditamos, mesmo compreendendo o ato como desrespeito?
– Há desrespeito dentro da chazit?
– Respeitamos sempre a instituição Chazit Hanoar?

PRÁTICAS/POSTURAS:

– nos apoiar em Martin Buber
– respeitar compromissos de tnuá como forma de respeito ao trabalho do outro
– respeito às outras tnuot

4.DEFINIÇÃO JUSTIÇA SOCIAL

Entendemos como justiça social a busca por um estado em que o acesso às riquezas sociais, culturais, econômicas e tecnológicas produzidas pela sociedade, bem como aos recursos naturais indispensáveis à vida não sejam determinados pelas condições sociais e de nascimento de cada ser humano.

Ressaltamos ainda que, nesse estado, as relações pessoais e com o meio ambiente devem estar (trocaria para SER) pautadas por respeito e liberdade, tais como os definimos em nosso Pirkei Peilim. Nesse sentido, encontramos referência na metáfora de uma época messiânica de justiça e paz, ilustrada pela visão de nossos profetas.

As injustiças sociais não devem ser naturalizadas, mas reconhecidas como consequências de um processo histórico, cultural, econômico e social.
Ressaltamos que o modelo atual em que vivemos também contribui para a continuidade desse processo. Este culmina em injustiças sociais tanto à má distribuição dos recursos citados anteriormente, como também questões identitárias relativas a gênero, sexualidade, etnia, religião e outras.*

Devemos buscar nos mitos, história, costumes, leis e valores judaicos elementos que constituem também um projeto de reorganização da sociedade coerente com os valores chazitianos.

Portanto, é nosso dever lutar pela construção dessa sociedade coerente que almejamos. Para isso, é preciso de um trabalho de conscientização e de desconstrução de paradigmas, visando um uma mudança na mentalidade de nossa civilização, como o estabelecimento de políticas e estruturas sociais que não reproduzam essas injustiças e vão contra elas. Estrutura e mentalidade estão relacionadas de forma complexa e constroem-se mutuamente.

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